terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Desarmonia (Tony Lopes)


Não havia
Segurança
Para o
Segurança

Que em Desarmonia
Dançou.

Tenho medo (Tony Lopes)

Tenho medo do futuro
Mas não é esse medo
Que irá me deter
Tenho medo do escuro
Mas não é esse medo
Que me impedirá de ver

Seguirei  pisando cambaleante
Em cima do muro
Que divide o que tenho

Com aquilo que procuro

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dor de verdade (Tony Lopes)

A minha memória não é confiável
Nem acumula informações
A dor de ontem só doeu ontem
Mas aceito sugestões

Às vezes lembro-me do que doeu
E dói uma vez mais
Noutras nem penso que aconteceu
Para sofrer em paz

Minha memória é uma gaveta
Com fundo falso
Quando tento encontrar algo
Tropeço no meu próprio passo

Às vezes esqueço-me do que doeu
Pra sofrer apenas com a realidade
Noutras eu penso que é melhor
Ter uma nova dor de verdade

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Geme geme (Tony Lopes)

A cabeça aberta da caverna grita
Explícita
O que só se ouve fora daquela gruta
Escura

E geme
Geme geme geme

A cabeça ereta atenta e aflita tenta
E enfrenta
O que agora urge naquela luta eterna
Pelo jorro

E geme
Geme geme geme

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Entendendo a felicidade (Tony Lopes)

Não consigo perceber a felicidade
Do pedinte ao receber uns trocados
Nem vislumbro ali                                               algum sinal de que algo vai mudar

Migalhas não consertam o mundo
Esmolas não abrandam as culpas

Não consigo perceber a felicidade
Naqueles olhos solitários e confusos
Nem vislumbro amor                                                      em quem já deixou de acreditar

Migalhas não ocupam corações
Esmolas não estancam feridas

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Punhais (Tony Lopes)


A cidade está arrasada

Suas paredes vestidas com trapos

Que envolvem as praças desnudas

E as ruas feitas de farrapos

 

A cidade jaz em ruinas

Com muros criminosamente despidos

Que se perdem nas esquinas imundas

E flutuam como viadutos perdidos

 

A cidade cai e sangra

Nas sombras da sua incapacidade

Na vergonha dos seus projetos

E dos tapumes que escondem a verdade

 

Agora os carros invadem sem cerimonia

Os sinais

E atravessam as silenciosas avenidas

Como punhais

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Santos sinais (Tony Lopes

São os silêncios
Que despertam a cidade
Calmamente

São os silêncios
Que arrancam a mediocridade
Mansamente

São os silêncios
Santos
Que são sinais

E só os silêncios
Podem gritar de felicidade
Ingenuamente