terça-feira, 30 de dezembro de 2014

valeu


 
Se você foi um (a) dos que por aqui passaram meus sinceros agradecimentos. Foram 198 posts neste ano de 2014. Alguns bons outros ruins, mas todos feitos para agradar os que me agradam ou para desagradar aos que me desprezam. No fim das contas foram muitas emoções: Creia.
Ps: obrigado aos autores que cederem, mesmo sem saber, suas fotos para ilustrarem meus escritos

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Não cuspa no chão (Tony Lopes)


Não cuspa no chão

Nem fume no meu portão

Não grite tão alto  

Nem destrua minha ilusão

 

Não pise na grama

Nem avance pela contramão

Não se atire na lama

Nem aposte no meu perdão

 

Não rejeite as regras

Nem tente inventar

O certo é sempre certo

O errado ninguém pode consertar

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Inveje/Invejo (Tony Lopes)


Invejo os fios
Que levam luz
A escuridão
Invejo os rios
Que levam longe
A embarcação

Inveje os fios
Dos meus cabelos
Brancos como estão
Inveje os risos
E a minha incapacidade
De ter razão

Invejo o que desejo
Inveje também o seu desejo
Porque não?

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Aloprado (os elefantes elegantes/Tony Lopes)


Eu sou um aloprado

Um cara marcado

Sempre sozinho

Sou o único culpado

Por ter errado

O meu caminho

 

Eu sou um aloprado

Meio endiabrado

Um desconjuro

Sou apenas um recado

Escrito errado

Em algum muro

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Coleção de fracassos (Tony Lopes)


Na minha coleção de fracassos
Só falta um
Só falta um passo
Falta você
E o seu desembaraço.
 
Na minha coleção de fracassos
Só falta um
Só falta um compasso
Falta uma canção
A canção que não faço.
 
Na minha coleção de fracassos
Só falta um
Só falta um traço
O que ainda não fiz
Para criar o teu retrato.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Guarda chuva (Tony Lopes)


 

Não gosto de guarda chuva

Por me impedir de sentir

O suave toque da chuva

No meu ombro e no meu rosto

 

Não gosto da sua proteção

Nem de depender do seu abrigo

Prefiro sentir o gosto

Das lagrimas no canto da boca.

 

Céu escuro e sombrio

Tempestade que se anuncia

Saudades do que já tive

Lembranças do que eu gostaria de ter

 

Prefiro andar descalço

Driblando as poças

Saltando os pingos

Pulando as incertezas

 

Não gosto de guarda chuva

Ele impede o acalanto das lagrimas

De quem já não possuo mais

De quem há muito me deixou pra trás.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Maçã (Tony Lopes)


Um coração com gosto de maçã

Com jeito de pecado

Aprisionado

 

Um amor com cheiro de maçã

Preso ao passado

Atormentado

 

Armadilha que o destino, esse cruel senhor,

Armou

 

Uma ilusão com aroma de maçã

Com o final errado

Adulterado

 

Amor como uma parte da maçã

Já meio estragado

Abandonado

 

Sujo

Ignorado

Sem mais nenhum sabor

 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O desprezo (Tony Lopes)


 

O desprezo é uma arma  poderosa

Forte como uma Submetralhadora Uzi

Viril como uma Thompson M1921

Mais violento que uma DSR 50 sliper

 

O desprezo é uma arma tão cruel

E sanguinária

Que sorve a alma, mas conserva

A pele do indivíduo

 

O desprezo é um truque abjeto e sórdido

Um blefe desconcertante

Um punhal enferrujado encravado

No âmago da questão

 

O desprezo é a pior das sentenças

O pior dos castigos

O desprezo é uma arma letal

E desprezível.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Fazer justiça (Tony Lopes)


Vamos queimar as bruxas

Rasgar os livros

Burlar as leis

Mentir e odiar.

 

Vamos enforcar traidores

Crucificar incrédulos

Amaldiçoar hereges

Distinguir culpados

 

Vamos fazer justiça

Erguer monumentos

Levantar muros

Dividir os territórios

 

Mas não esqueçam que não é um filme

Nem um jogo

E que a maldição

Pode cair nas nossas próprias cabeças

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Lembranças (Tony Lopes/Sergio Martinez)


Eu não me lembro não... mas lembrar é algo que sempre esqueço.

E esquecer é algo que sempre lembro.

Se não lembro do que devia esquecer melhor lembrar do que eu devia sonhar

E seguir o instinto que me diz para ir mesmo sem saber a direção

Sem esquecer de lhe chamar.

 

Se esqueço do que devia lembrar o melhor é fingir e tentar entender

Que as promessas que um dia ouvi dos seus lábios eram frias

Demais para me aquecer.

 

Eu não me lembro não... mas lembrar é algo que sempre esqueço.

E esquecer é algo que sempre lembro.

 

Lembranças 2º movimento

 

Eu não me lembro não... de lembrar, eu sempre esqueço.

De esquecer, eu sempre lembro

 

Se não lembro do que devia esquecer melhor lembrar do que eu já sonhei

E seguir o instinto que me diz para ir adiante mesmo sabendo o fim

E não esquecer de lhe chamar.

 

Se esqueço o que devia lembrar o melhor é fingir e tentar entender

Que as promessas que um dia ouvi dos seus lábios eram frias

Demais para me aquecer.

 

Eu não me lembro não... mas lembrar é algo que sempre esqueço.

e esquecer é algo que sempre lembro.

 

Lembranças 3º movimento

 

Eu não me lembro não... de lembrar, eu sempre esqueço

E não me perco mais, está bem claro o endereço

 

Mas de esquecer, eu sempre lembro

 

Se não lembro do que devia esquecer melhor lembrar do que eu já sonhei

E seguir o instinto que me diz para ir adiante mesmo sabendo o fim

E não esquecer de lhe chamar.

 

Se esqueço o que devia lembrar o melhor é fingir e tentar entender

Que as promessas que um dia ouvi dos seus lábios eram frias

Demais para me aquecer.

 

Eu não me lembro não... mas lembrar é algo que sempre esqueço.

E esquecer é algo que sempre lembro.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Minha Eva (Tony Lopes)

Lábios de maçã
Proibidos
 
Olhos de imã
Atrevidos
 
Pecado
É não mergulhar
No céu
Da tua boca
 
Minha Eva
Meu tesão
 
Teu discípulo
Teu Adão.
 

Ps. Inspirado nesta ilustração de Dan Borges

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Sombras na parede (Tony Lopes)


A sombra da arvore desenha na parede da velha casa imagens que se misturam com as lembranças de dias que se foram levando a emoção de outros verões e deixando marcas nas mentes serenas que vão continuar e se perpetuar por mais algumas estações.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Um verme (Tony Lopes)


Tuas sobras
São meus excessos
Teu desprezo
São meus anseios
 
Rastejo aos seus pés
Porque sou um verme
Que apenas deseja
O pior que há em ti.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Perfeitamente fora de ordem (Tony Lopes)


Perfeitamente fora de ordem

Como deve ser.

 

Totalmente misturado e confuso

Como as cartas de um baralho 

E suas marcas.

 

Jogadores sem caráter

Apostam o que não tem.

 

Perder ou ganhar pouco importa

O jogo não tem fim

Apenas as moscas saberão o resultado

E qualquer que seja

Nada irá mudar.

 

O tempo passa vagarosamente pelas frestas

E essas pessoas sem vida

Seguem o roteiro

Perfeitamente fora de ordem

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Tiro forte (Tony Lopes)


Tua sorte

Meu azar

Tua lei

Minha prisão

 

Tua crença

É minha dor

Teu deus

Um opressor

 

Teu dinheiro

O seu senhor

Tua vontade

Seja qual for

 

Pra nós as sobras

E a submissão

A única saída

Em minha mão

 

Tiro forte

No seu coração

Acerta um bandido

Acorda a nação

 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Banco (Tony Lopes)


 

Todos precisam de um banco

Os velhos para sentar

Os jovens para roubar

Um coração

 

Todos precisam de um plano

Os velhos para lembrar

Os jovens para tentar

Uma revolução

 

E na praça cheia de pombos

E estatuas nuas

Todos podem passar

Ou ficar na sua

 

Todos precisam de um ganho

Os velhos para curar

Os jovens para detonar

Uma alucinação

 

Todos precisam de um engano

Os velhos para continuar

Os jovens para acelerar

A emoção

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Pão e agua (Tony Lopes)


Eu acredito no seu silencio

Eu acredito na sua ausência

Está tudo dito e amplificado

Tudo escrito e fotografado

 

Eu acredito no teu discurso

Eu acredito na tua crença

Está tudo muito bem explicado

Tudo despoluído e filtrado

 

Se dessa agua eu beberei

Beba dela você também

Se esse pão eu dividirei

Coma a sua parte e diga amém.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Tão tudo (Tony Lopes)


Tão rápido
Que nem passou
E já foi
Tão curto
Que não cobre
As pernas
 
Tão murcho
Que não enche
O saco
Tão torto
Que não acerta
O alvo
 
Tão tolo
Que não percebe
O acerto
Tão lindo
Que não vale
Uma piscada
 
Tão inteligente
Mas não entendeu
A piada.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Não gosta (Tony Lopes)


Você não gosta de mim. Ponto.

Simples assim.

Para que fingir?

É bem mais fácil admitir:

Não gosta

Não gosta

E não gosta.

 

Mas não se preocupe

Eu também não gosto de você

Nunca gostei

Sou tão falso quanto você

E para facilitar vou admitir:

Não gosto

Não gosto

E não gosto.

 

Pronto, falei. Ponto final

 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Notícias boas (Tony Lopes)


Espero notícias
E que sejam boas
Me cansei da tristeza
Que sempre ecoa
 
Espero notícias
E que sejam alegres
Abusei desta angustia
Que me persegue
 
Não tenho pressa
Eu posso esperar
Que elas venham
Que elas possam chegar
 
Espero notícias
E que sejam suaves
Desejo de verdade
Que voem como as aves
 
Espero notícias
E que sejam certas
Para encontrar o alvo
Das novas descobertas.

 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Antropofagia (Tony Lopes)

 
Sou feroz
Eu devoro quem me devora 
Sou brutal
Mas só devoro quem me devora
 
A tua espécie é a minha espécie
A minha espécie é a tua espécie
 
Eu te adoro, por favor, me adore
Implore que eu também imploro
Imploro que você também implore
Me devore que eu te devoro
 
Antropofagia/Canibalismo
Canibalismo/Antropofagia

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Frascos (Tony Lopes)


Nos frascos vazios

Está a esperança dos oprimidos

Que deliram

Com seus desejos reprimidos.

 

Opacos e frios

Aqueles velhos comprimidos

Apontam

A direção para os escolhidos.

 

Luzes piscam

E o carro corre

A noite nasce

O medo morre.

 

O pulso acelera

A dor aflora

Ninguém espera

Chegou a hora.