quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Se eu fosse um poeta (Tony Lopes)


Se eu fosse um poeta
Amável e sensível
Talvez eu fosse alguém


-Se eu fosse uma porta
Nunca abriria


Se eu fosse alguém
Odiável e imprevisível
Talvez eu fosse um poeta


-Se eu fosse uma porta
Apodreceria

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Tinhoso (Tony Lopes)

Você é como o tinhoso
Que só entra onde é chamado
Mas cobra muito caro
Por cada nó desatado

È assim meio demoníaco
Meio capeta meio sagrado
Mas sempre parece educado
Ao me  observar  calado

Você é como ele
Que sempre aparece quando é evocado
Que faz todo tipo de pacto
E nunca cumpre o que foi acordado


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ninho das cobras (Tony Lopes)

Apesar das picadas E do veneno
Das armadilhas E do descaso
Apesar das mentiras E das injurias
Dos tropeços E das promessas

No ninho das cobras Sobrevivi
Mas deixei em troca Um pouco
Do que me roubaram:

O amor e o desejo
De seguir...

(Eis aqui a formula

Do meu antidoto)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Como um animal (Tony Lopes)


Tratado como animal
A ferro e bala
Sem chance de resistir
Simplesmente se cala

Olhos cabisbaixos
Fitam o chão da sala
Impedido de reagir
Apenas se cala

Nesse duelo imaginário
De mocinhos e bandidos
Todos saem perdendo
Todos estão perdidos


E no fim um estampido ecoa
Manchando sem dó a realidade
Sangue no peito atoa
Pouco importa quem foi o covarde

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Samba da contradição (Tony Lopes)

Pode sorrir agora
Estou no chão
Mas não espere de mim
Nenhum pedido de clemencia
Vou sofrer
Perdi a razão
Mas não siga meus passos tortos
Nessa vil violência

Sei que já te fiz chorar
Mas agora vou partir
Se um dia machuquei teu coração
Agora é o meu que vai ruir

O amor é uma contradição
Quem ontem amou
Hoje não ama mais não
E nessa triste loucura
Umalagrima que cai
Não sabe mais

Por quem procura.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Outros olhos (Tony Lopes)

Outros olham os olhos como se fossem seus
Olham os outros olhos como se fossem seus
Os outros olhos olham como se fossem seus
Olham os olhos como se outros fossem seus

Seus olhos olham os outros como se fossem seuS
Seus olhos olham os outros como se fossem seuS
Seus olhos olham os outros como se fossem seuS
Seus olhos olham os outros como se fossem seuS

Outros olham os olhos como se fossem seus
Olham os outros olhos como se fossem seus
Os outros olhos olham como se fossem seus
Olham os olhos como se outros fossem seus




quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Nada aqui (Tony Lopes)


Os trovões não cabem mais dentro de mim
Estou cheio dos ecos de antes
Alguns passos
Atrás

Os clarões ofuscam o que não quero ver
Estou cego pelas lanças
Que atiram
De lá.

Enquanto o mundo gira veloz
Nada muda aqui
E todos continuam de braços dados

Como seu próprio algoz