sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Coleção de fracassos (Tony Lopes)


Na minha coleção de fracassos
Só falta um
Só falta um passo
Falta você
E o seu desembaraço.
 
Na minha coleção de fracassos
Só falta um
Só falta um compasso
Falta uma canção
A canção que não faço.
 
Na minha coleção de fracassos
Só falta um
Só falta um traço
O que ainda não fiz
Para criar o teu retrato.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Guarda chuva (Tony Lopes)


 

Não gosto de guarda chuva

Por me impedir de sentir

O suave toque da chuva

No meu ombro e no meu rosto

 

Não gosto da sua proteção

Nem de depender do seu abrigo

Prefiro sentir o gosto

Das lagrimas no canto da boca.

 

Céu escuro e sombrio

Tempestade que se anuncia

Saudades do que já tive

Lembranças do que eu gostaria de ter

 

Prefiro andar descalço

Driblando as poças

Saltando os pingos

Pulando as incertezas

 

Não gosto de guarda chuva

Ele impede o acalanto das lagrimas

De quem já não possuo mais

De quem há muito me deixou pra trás.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Maçã (Tony Lopes)


Um coração com gosto de maçã

Com jeito de pecado

Aprisionado

 

Um amor com cheiro de maçã

Preso ao passado

Atormentado

 

Armadilha que o destino, esse cruel senhor,

Armou

 

Uma ilusão com aroma de maçã

Com o final errado

Adulterado

 

Amor como uma parte da maçã

Já meio estragado

Abandonado

 

Sujo

Ignorado

Sem mais nenhum sabor

 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O desprezo (Tony Lopes)


 

O desprezo é uma arma  poderosa

Forte como uma Submetralhadora Uzi

Viril como uma Thompson M1921

Mais violento que uma DSR 50 sliper

 

O desprezo é uma arma tão cruel

E sanguinária

Que sorve a alma, mas conserva

A pele do indivíduo

 

O desprezo é um truque abjeto e sórdido

Um blefe desconcertante

Um punhal enferrujado encravado

No âmago da questão

 

O desprezo é a pior das sentenças

O pior dos castigos

O desprezo é uma arma letal

E desprezível.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Fazer justiça (Tony Lopes)


Vamos queimar as bruxas

Rasgar os livros

Burlar as leis

Mentir e odiar.

 

Vamos enforcar traidores

Crucificar incrédulos

Amaldiçoar hereges

Distinguir culpados

 

Vamos fazer justiça

Erguer monumentos

Levantar muros

Dividir os territórios

 

Mas não esqueçam que não é um filme

Nem um jogo

E que a maldição

Pode cair nas nossas próprias cabeças