sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Final feliz (Tony Lopes)


 Outro tiro que não acertou o alvo

Outro corte que não rasgou o pulso

Outra flecha que não furou o peito

Outro dia igual aos outros.

 

Mas uma vez o final feliz

Mesmo a contragosto um final feliz

Os mesmos erros

E outra vez sobrevivendo por um triz.

 

Outro grito que penetrou na noite

Outro copo da mesma cicuta

Outro desejo que cortou a boca

Outro corpo de alguma puta

 

Mais uma vez o final feliz

Mesmo desfecho de um final feliz

Os mesmos desacertos

Mas mesmo triste continuo aqui.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Cheiro de puta (Tony Lopes)


 

Ela

Tem cara de puta

De quem cobra caro

Pelo prazer

 

Ela

Tem fragrância de puta

De fruta tão rara

Dura de doer

 

Ela

Tem faro de puta

Aroma selvagem

De torto prazer.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Fuga (Tony Lopes)

 
Perder o controle
Invadir o sinal
Atropelar a logica
Evadir do local
Fuga insana
Torpe lucidez
Acender a lanterna
Da insensatez.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Ele não está (Tony Lopes)


Não tema encarar o espelho

O demônio não esta lá,

Agora.

Mas se apresse

Porque seus olhos vermelhos

Podem trazê-lo de volta

A qualquer hora.

 

Não desista de enfrentar o medo

Ou de apontar o dedo

Agora.

Mas não vacile

Porque seus velhos receios

Podem trazê-lo de volta

Sem demora.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Luz da razão (Tony Lopes)


Sentado vejo de longe a explosão
Ouço os gritos e as vaias
E as vias que nos levam
Para uma outra direção
Estão cheias de ideais.


Às vezes confuso e sem coesão
Noutras as bandeiras e as placas
Nos dizem o que é certo ou não
E se alguns botam a cabeça a prêmio
Outros se escondem nas trincheiras
Mesmo que não saibam de que lado
Virá a verdadeira solução

Ouço gritos, tiros e passos na escuridão
Quem irá acender, enfim, a luz da razão?

terça-feira, 2 de setembro de 2014

As baratas (Tony Lopes)


As baratas vão invadir sua paz

Fuçar a sua mente

Vão ocupar a sua mesa

Deitar na sua cama.

 

As baratas vão rir da sua cara

Pisar no seu calo

Vão calçar o seu sapato

Vestir o seu pijama

 

As baratas vão tomar o poder

Escravizar a sua mãe

Vão sair com o seu carro

Engolir a sua grana

 

As baratas vão dominar o mundo

Destruir a sua imagem

Vão difamar a sua família
Abandonar-te na lama

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Voar (Tony Lopes)


Acredito nos fios de alta tensão

Que alimentam as neuroses

Como pássaros aprisionados

Em uma garganta insana.

 

Ao abrir a janela um impulso

Grita como mil alto-falantes

Cortando em cruz o pulso

Com uma dor inebriante

 

Seremos felizes novamente

Como fomos quando não sabíamos

Seremos serenos novamente

Como fomos quando não podíamos

 

Adeus, adeus todos os sonhos

Vou despertar

Adeus, adeus todos os planos

Vou voar, vou voar, vou voar.